Orientação das amostras

Autor: Carla Lopes. Ver página autores.
Última edição: Pathologika, 30 de Abril de 2017
Citar esta página: Lopes, C., Orientação das amostras – Pathologika. Available at: https://pathologika.com/macroscopia/orientacao-das-amostras/ [Acedido: data].

ORIENTAÇÃO ANATÓMICA

A orientação das amostras é fundamental, pelo que nenhuma amostra deve ter iniciada a sua descrição macroscópica sem antes ser orientada no seu contexto clínico.

Por exemplo, uma mastectomia de redução terá uma abordagem diferente de uma mastectomia removida por tumor. Deste modo, o primeiro passo para a orientação das amostras é a leitura da requisição que acompanha a amostra.

Para uma melhor compreensão, se o relatório de anatomia patológica é o resultado final da dissecção macroscópica, a orientação anatómica da amostra pode ser considerada como um mapa de estradas, através do qual chegaremos ao destino final.

A orientação anatómica deve ser realizada no início da dissecção macroscópica, enquanto a amostra ainda está intacta. Quanto mais a dissecção progride, mais difícil pode ser reconstruir e orientar a amostra. Mesmo quando a amostra está totalmente intacta, a orientação nem sempre é uma tarefa simples.

Com orientação, um conglomerado confuso de tecido é colocado no contexto clínico e anatómico adequado e observado como uma unidade estrutural. Sem orientação, a dissecção da amostra pode avançar rapidamente, mas pode nunca atingir os objectivos desejados.

A orientação de algumas amostras é bastante evidente tendo em conta certas referências anatómicas (por exemplo uma colectomia); no entanto muitas das amostras quando retiradas do paciente, são de difícil ou mesmo impossível orientação. Sempre que a orientação for importante para a avaliação da amostra, no bloco operatório devem ser utilizados marcadores externos de orientação. Estes marcadores podem incluir fio de sutura (com tamanho e comprimento variado, separação da amostra em vários recipientes (se possível), diagramas, entre outros.

No entanto, se a amostra for demasiado complexa e/ou surgirem dúvidas quanto ao motivo do envio da amostra, é sempre preferivel discutir o assunto com o médico que requisita a análise.

As designações de orientação anatómica devem referir-se ao utente na posição anatómica sendo irrelevante a posição do utente no momento da recolha da amostra.

Fig 1. Erecto, com a cabeça, olhos e hálux (primeiro dedo do pé, voltados para a frente. Braços esticados para baixo e paralelos ao tronco com as palmas da mão direccionadas para a frente. Pernas esticadas e juntas.)

Fig M1. Erecto, com a cabeça, olhos e hálux (primeiro dedo do pé, voltados para a frente. Braços esticados para baixo e paralelos ao tronco com as palmas da mão direccionadas para a frente. Pernas esticadas e juntas.)

DESIGNAÇÕES PARA ORIENTAÇÃO ANATÓMICA

Anterior (ventral): refere-se à frente do corpo.

Posterior (dorsal): refere-se à parte traseira do corpo. A superfície superior do pé é designada de superfície dorsal devido à posição do pé durante o desenvolvimento embrionário.

Superior (cefálica): em direcção à cabeça.

Inferior (caudal): em direcção aos pés. A superfície inferior dos pés é designada de superfície plantar.

Medial: plano médio do corpo.

Lateral: afastado do plano médio do corpo.

Proximal: o mais próximo do ponto de origem.

Distal: o mais afastado do ponto de origem.

Superficial: o mais perto da pele.

Profundo: o mais longe da pele.

Corte transverso: plano horizontal ao eixo longitudinal do corpo. Parte do corpo com divisão entre parte superior e parte inferior.

Corte coronal: plano vertical que divide o corpo (ou uma estrutura corporal) em parte anterior a posterior.

Corte sagital: plano vertical paralelo ao plano medial, que divide o corpo (ou uma estrutura corporal) em parte medial e lateral.