Biomarcadores

Autor: Carla Lopes. Ver página autores.
Última edição: Pathologika, 04 de Novembro de 2017
Citar esta página: Lopes, C., Biomarcadores – Pathologika. Available at:https://pathologika.com/imuno-histoquimica/biomarcador/  [Acedido: data].

A utilização de biomarcadores em investigação assim como na prática clínica tornou-se tão comum, que a sua presença em ensaios clínicos é comumente aceite e utilizada (Strimbu & Tavel 2011). Os biomarcadores têm desempenhado um papel cada vez mais importante na descoberta de novos medicamentos, na compreensão do mecanismo de acção de um fármaco, na eficácia para investigar sinais de toxicidade numa fase precoce do desenvolvimento farmacêutico e também na identificação de pacientes que possam responder a um determinado tratamento (Gosho et al. 2012). Os biomarcadores têm sido utilizados para personalizar a medicação e /ou os cuidados de saúde assim como na avaliação da segurança de medicamentos na prática clínica.

O National Institutes of Health Biomarkers Definitions Working Group (NIH) definiu um biomarcador como “uma característica que é objetivamente medida e avaliada como um indicador de processos normais biológicos, processos patogénicos ou respostas farmacológicas a uma intervenção terapêutica” (Biomarkers Definitions Working 2001).

Exemplos de biomarcadores podem incluir desde a medição da tensão arterial através de química básica até testes laboratoriais mais complexos de sangue e outros tecidos humanos (Strimbu & Tavel 2011). A avaliação desses biomarcadores é complexa mas cada vez mais valiosa e fundamental na medicina, nomeadamente como marcadores de diagnóstico e prognóstico (Ray et al. 2010).

Existem vários passos hierarquizados importantes para demonstrar o interesse clínico de um biomarcador (Ray et al 2010):

  1. Demonstrar que o biomarcador está significativamente alterado em pacientes quando comparado com o grupo controlo.
  2. Avaliar as propriedades de diagnóstico dos biomarcadores.
  3. Comparar as propriedades diagnósticas do biomarcador com os testes existentes.
  4. Demonstrar que as propriedades de diagnóstico do biomarcador aumentam a capacidade do médico para tomar uma decisão (o que pode ser difícil de avaliar, porque o momento do diagnóstico pode ser crucial e não é fácil de identificar).
  5. Avaliar a utilidade do biomarcador. Esta avaliação envolve tanto as características do teste em si como o custo, o facto de ser ou não invasivo, dificuldades técnicas, rapidez e o contexto clínico (prevalência da doença, consequências do resultado, custos e consequências de opções terapêuticas).
  6. Demonstrar que a avaliação / quantificação dos biomarcadores modifica resultados (estudos de intervenção). No entanto, existem poucos estudos de intervenção para novos biomarcadores e / ou os que existem fornecem resultados discrepantes

Os biomarcadores podem ser classificados em marcadores de prognóstico, biomarcadores preditivos e biomarcadores farmacodinâmicos (Gosho et al. 2012).

Um biomarcador prognóstico identifica pacientes com diferentes riscos para um resultado específico, tal como a progressão da doença ou a sobrevida. Um biomarcador prognóstico pode ser definido como uma única característica ou assinatura de características que separa uma população no que diz respeito ao resultado de interesse, independentemente dos tipos de terapias ou tratamentos (Gosho et al. 2012).

Um biomarcador preditivo prediz o resultado diferencial a uma terapia ou tratamento especial – apenas os pacientes com biomarcador-positivo respondem ao tratamento específico em comparação com os pacientes que são biomarcador-negativo (Sargent et al., 2005).

O biomarcador pode ser utilizado como um biomarcador farmacodinâmico (biomarcador da actividade do medicamento) para demonstrar prova de princípio e ser utilizado para otimizar o esquema de administração do fármaco durante as fases iniciais do programa de desenvolvimento de fármacos (estudos in vitro, experiências com animais e ensaios clínicos de fase I), enquanto que os biomarcadores clínicos são utilizados na fase II e III de ensaios clínicos (Gosho et al. 2012).

Em investigação clínica, a utilização de biomarcadores quantificados em laboratório é relativamente recente e as melhores abordagens para esta prática ainda estão em desenvolvimento (Strimbu & Tavel 2011). No entanto, e apesar de todos os problemas técnicos relacionados com a execução de ensaios em tecido (tais como a imunohistoquímica), quando uma proteína é o alvo, a sua quantificação por imunohistoquímica continua a ser o “gold standard” para identificação de biomarcadores tumorais e torna-se extremamente valiosa quando as proteínas sofrem modificações pós-translacionais ou estão sobre-expressas (Dunstan et al. 2011).


Referências bibliográficas
  1. Biomarkers Definitions Working, 2001. Biomarkers and surrogate endpoints: preferred definitions and conceptual framework. Clinical pharmacology and therapeutics, 69(3), pp.89–95.
  2. Dunstan, R.W. et al., 2011. The use of immunohistochemistry for biomarker assessment–can it compete with other technologies? Toxicologic pathology, 39(6), pp.988–1002.
  3. Gosho, M., Nagashima, K. & Sato, Y., 2012. Study Designs and statistical analyses for biomarker research. Sensors (Switzerland), 12(7), pp.8966–8986.
  4. Ray, P. et al., 2010. Statistical evaluation of a biomarker. Anesthesiology, 112(4), pp.1023–1040.
  5. Sargent, D.J. et al., 2005. Clinical Trial Designs for Predictive Marker Validation in Cancer Treatment Trials. Journal of Clinical Oncology, 23(9), pp.2020–2027.
  6. Strimbu, K. & Tavel, J. a, 2011. What are Biomarkers? Curr Opin HIV AIDS, 5(6), pp.463–466.