Anticorpos primários

Autor: Carla Lopes. Ver página autores.
Última edição: Pathologika, 01 de Fevereiro de 2018
Citar esta página: Lopes, C., Anticorpos primários – Pathologika. Available at: https://pathologika.com/imuno-histoquimica/anticorpos-primarios [Acedido: data].

Um anticorpo primário é uma imunoglobulina que se liga especificamente a uma determinada proteína ou outra biomolécula de interesse, com a finalidade de a detetar o/ou medir.

Para interpretar corretamente a imunorreatividade dum anticorpo, é importante saber o local esperado de marcação do antigénio de interesse. Conhecer a função biológica da molécula de interesse pode ser muito útil para antecipar intuitivamente o local da reação.

Exemplos de anticorpos com marcação nuclear

Factores de transcrição (TTF-1, CDX2, miogenina, PAX2, WT1, p53, p63). Receptores de hormonas esteróides (ER, PR, AR).   Ki67 (excepto no adenoma trabecular da tiróide hialinizante, onde a marcação pode ser de membrana / citoplasmática).

Exemplos de anticorpos com marcação citoplasmática

Proteínas do citoesqueleto e outras proteínas funcionais.

Esta categoria inclui todos os filamentos intermediários (CK, desmina, vimentina, GFAP, neurofilamento), proteínas contráteis (actina), proteínas associadas ao melanossoma (HMB45, Melan-A), produtos de secreção (ACTH, tripsina), e várias outras moléculas funcionais.

Exemplos de anticorpos com marcação de membrana

Receptores (EGFR), moléculas de adesão (E-caderina) e outras moléculas de superfície.

Esta categoria inclui também praticamente todos os CD (differentiation cluster), tais como CD3 e CD20. Ocasionalmente, a marcação de membrana pode ser difícil de distinguir da marcação citoplasmática; esta distinção é importante para várias moléculas em que apenas é considerada específica a marcação de membrana (HER2, EGFR).

Exemplos de anticorpos com dupla marcação (nuclear e citoplasmática)

Embora seja raro, vários antigénios têm reatividade nuclear e citoplasmática.

Esta categoria inclui principalmente as proteínas S100 e Calretinina. A marcação da β-catenina é citoplasmática na maioria dos tipos de células. No entanto, uma mudança na sua reactividade (passa a ser nuclear) é uma característica específica de vários tipos de tumores associados a mutações na via polipose adenomatose coli / β-catenina, tal como como nos tumores desmóides (deep fibromatosis) e cancro do cólon.

Exemplos de anticorpos com marcação citoplasmática granular

Reatividade granular geralmente indica a localização de organelos citoplasmáticos (mitocôndrias, complexo de Golgi, vesículas secretoras, etc).

Racemase (mitocondrial / peroxissomal), Prostein / P501S (Golgi), e napsina A (lisossomal) são exemplos de proteínas com típica marcação granular.

Marcação em “dot” (reatividade com o complexo de Golgi) simultânea com marcação de membrana é típica em CD30 e CD15.

Exemplos de anticorpos com marcação “ponteada”

Marcação “ponteada” (também conhecida como peri-nuclear e dot-like) é típica em citoqueratinas nos carcinomas neuroendócrinos, incluindo o carcinoma de pequenas células (pan-CK) e carcinoma de células de Merkel (CK20). Isso ocorre devido à formação de emaranhados de citoqueratinas.

Exceções à regra

Em alguns casos a falta de imunorreatividade é o que é significativo. Alguns exemplos incluem a perda de DPC4, uma proteína suprimida em 55% dos carcinomas pancreáticos, que suporta o diagnóstico de tumor primário do pâncreas. Outros exemplos são a perda de E-caderina no carcinoma lobular da mama e perda de INI1 em tumores rabdóides.

Nem tudo o que marca castanho é marcação específicaAtenção aos falsos-positivos (exemplos: periferia do tecido a “marcar” inespecificamente, coloração não específica dos hepatócitos devido ao elevado teor de albumina).

Atenção aos falsos-negativos. Observar sempre os controlos (em particular as estruturas normais que servem como controlo positivo interno). Marcação inespecífica citoplasmática para antigénios com esperada localização nuclear (exemplos: TTF-1 ou ER).

Figura I9 – Tipos de marcação de anticorpos primários.


Referencias bibliográficas

Rekhtman, N. & Bishop, J.A., 2011. Quick Reference Handbook for Surgical Pathologists, Springer Berlin Heidelberg.

Dabbs, D.J., 2012. Breast Pathology, Elsevier/Saunders.

Dabbs, D.J., 2002. Diagnostic Immunohistochemistry, Churchill Livingstone.