Fontana Masson

Autor: Ruben Gouveia. Ver página autores.
Última edição: Pathologika, 11 de Novembro de 2017
Citar esta página: Gouveia, R., Histoquímica. Fontana Masson – Pathologika. Available at: https://pathologika.com/histoquimica/fontana-masson/ [Acedido: data].

Objetivo / Princípio

O método Fontana Masson é utilizado para a demonstração de substâncias argentafins, como a melanina, grânulos argentafins de tumores carcinóides e alguns grânulos neurossecretores [1].

Certos componentes tecidulares são argentafins, isto é, eles possuem a capacidade de reduzir soluções de prata a prata metálica visível, sem a necessidade de um agente redutor externo (por exemplo formaldeído / hidroquinona) [1-3]. A reação argentafim deve ser diferenciada da reação argirófila, uma vez que nesta última é utilizado um agente redutor externo para reduzir soluções de prata a prata metálica visível [2].

Curiosidade

A reação argentafim é dependente da habilidade de certos compostos fenólicos ou derivados da tirosina reduzirem soluções de prata a prata metálica [2].

Fixação

Podem ser utilizados a maioria dos fixadores [2], mas o formol neutro tamponado a 10% apresenta melhores resultados [1-4]. Evitar dicromato e cloreto de mercúrio [2,3]. O álcool também deve ser evitado, uma vez que dissolve os grânulos argentafins [1].

Microtomia

Cortes de parafina entre 4 a 5 µm [1].

Controlo de qualidade

Utilizar um corte de pele e um corte de intestino delgado ou apêndice, como controlo da melanina e dos grânulos argentafins respetivamente [1].

Reagentes e soluções

Nota: existem no mercado empresas que comercializam estas soluções já prontas a serem utilizadas, assim como kits de coloração completos.

Apesar de o objetivo ser a demonstração das substâncias argentafins, diversos autores sugerem diferentes modos de preparação dos reagentes:

  • Armed Forces Institute of Pathology: Laboratory Methods in Histotechnology (ver AFIP).
  • Histotechnology: a Self-Instructional Text (ver Freida L. Carson).
  • Carleton’s Histological Technique (ver Carleton’s).
  • Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques (ver Bancroft’s).

Notas prévias ao procedimento

  1. Utilizar instrumentos não-metálicos e produtos de vidro completamente limpos, visto que a solução de prata reagirá com qualquer contaminante residual deixado no vidro [1,3].
  2. Este método é sensível mas não é específico para a melanina e para os grânulos argentafins. Outras substâncias redutoras, como por exemplo o pigmento do formol, também vão dar uma reação positiva [1,4].
  3. Grânulos cromafins e algumas lipofuscinas podem dar reações positivas de intensidade variável [2,3].
  4. Material friável pode precisar de ser coberto com celoidina, visto que o amoníaco presente na solução de prata pode fazer com que os cortes saiam da lâmina [3]. Pela nossa experiência, colocar o corte numa lâmina modificada eletrostaticamente permite que o corte se mantenha na lâmina.
  5. A solução de prata pode tornar-se explosiva [1,2].
  6. Deixar demasiado tempo na solução de prata (overstaining) pode causar fundo cinzento e perda de contraste [1].
  7. A solução de Fontana é mais propensa a originar fundo cinzento que a solução de prata hexamina e pode deixar precipitado preto sobre o tecido [2].
  8. A iodina previne reações não específicas causadas por grupos sulfidrilos e remove o mercúrio de tecidos fixados com um fixador que contenha mercúrio [2].

Procedimento técnico

Apesar de o objetivo ser a demonstração das substâncias argentafins, diversos autores sugerem diferentes procedimentos:

  • Armed Forces Institute of Pathology: Laboratory Methods in Histotechnology (ver AFIP).
  • Histotechnology: a Self-Instructional Text (ver Freida L. Carson).
  • Carleton’s Histological Technique (ver Carleton’s).
  • Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques (ver Bancroft’s).

Resultados

Melanina ……………………… Preto [1-4].

Grânulos argentafins ….…. Preto [1-4].

Pigmento inespecífico …… Preto.

Núcleos e citoplasma …….. Cor-de-rosa a vermelho [4].


Referências bibliográficas
  1. Carson, F.L., 1997. Histotechnology: a self-instructional text. 2ª ed., ASCP Press.
  2. Carleton, H.M., Drury, R.A.B. & Wallington, E.. A., 1976. Carleton’s Histological Technique 4a., Oxford University Press.
  3. Bancroft, J.D., Gamble, M. & Suvarna, S.K., 2012. Theory and Practice of Histological Techniques 7a., Elsevier Churchill Livingstone.
  4. Prophet, E.B. & Armed Forces Institute of Pathology, 1992. Laboratory Methods in Histotechnology. Washington, DC. American Registry of Pathology.